
Indo aonde o povo está
Sobre minhas tentativas de espalhar poesia por aí e minha primeira experiência de vender folhetos na feira.
Luan Menezes Vieira Borges
9/26/20263 min read


Faz muitos anos que escrevo. Comecei a escrever poesia aos treze anos e foi por volta dessa idade que escrevi meu primeiro poema épico, que na verdade era bem ruinzinho e depois de diversas tentativas de reescrevê-lo, acabei desistindo. O meu sonho sempre foi mostrar minha arte às pessoas - não necessariamente ao mundo, mas pelo menos a pessoas fora do meu círculo familiar.
Minha primeira tentativa de mostrar meu livro foi através de blogs. Consegui que algumas pessoas lessem divulgando o blog em comunidades do Orkut, onde fiz alguns amigos. Mas não fui muito longe. Depois tentei mostrar minha poesia para editoras, mas se algum editor leu o que escrevi eu nunca saberei. Nunca fui chamado para publicar. Para o bem da verdade, uma vez fui chamado para publicar em cordel, mas meu contato com a editora não durou mais que algumas mensagens e acabou não dando certo.
Por fim, resolvi lançar meu primeiro livro pelo Clube de Autores. Comecei a divulgar no Instagram, pedi para os meus familiares compartilhar, contratei uma bookgramer para fazer algumas postagens sobre o livro. Não deu certo. Minha família, que sempre foi muito boa comigo, ajudou a divulgar por um tempo e alguns tios e primos inclusive compraram o livro. Quanto a bookgramer... bem... posso dizer que o livro atingiu muito mais pessoas, no entanto essas pessoas todas eram também bookgramer que queriam que eu os contratasse, muitos deles com alcance menor do que aquela que contratei. Acabei resolvendo não usar desse tipo de serviço, afinal além do bookgramer receber meu livro de graça, eu tenho que arcar com mais algum dinheiro. Fiquei com a sensação de que eu estava pagando duas vezes para a pessoa ler meu livro e divulgar para outros que, como ela, vão receber meu dinheiro e meu livro.
Como sou péssimo em divulgação, em menos de um ano o meu livro "morreu".
Mas tem um detalhe: eu escrevo poesia, principalmente épica, em sextilhas, septilhas e outras metrificações típicas da nossa literatura popular brasileira. Eu escrevo cordel. E cordel é vendido em feiras.
Por isso, depois de muitos anos pensando em procurar uma editora de cordéis, resolvi eu mesmo editar os meus cordéis. Fiz toda a diagramação, comprei folhas de papel tamanho A5, imprimi e grampeei. A ideia de ir a feira partiram de duas coisas: em primeiro lugar, meu amigo desenvolvedor de jogos, Tarcísio Rezende, me chamou, após uma década sem contato, para fazer o roteiro de um jogo. Nessa brincadeira, precisei ir ao Centro Cultural da minha cidade e, enquanto conversávamos sobre o jogo, a ideia foi brotando na minha cabeça. Em segundo, foi relembrar a música Nos Bailes da Vida, de Milton Nascimento, que diz: "Todo artista tem de ir aonde o povo está". Pois bem: se não consigo me fazer visto pelo povo na Internet, esse lugar semi-fictício onde todos estão e não estão ao mesmo tempo, eu vou lá onde o povo está de verdade: Na feira.
Hoje foi o meu primeiro dia na feira. Dia de pouquíssimo movimento, afinal é fim de mês (como me explicou um outro feirante). O tanto que ganho por unidade é um pouco menos em relação aos direitos autorais do Clube de Autores, principalmente se considerar que todo o trabalho de edição é meu. Mesmo assim, só neste dia, eu consegui vender mais unidades de folhetos do que vendi meu livro e o dinheiro que ganhei também já foi um bocado maior do que meus ganhos em direitos autorais pelo Clube. Só hoje as minhas vendas já serviram para pagar o custo que tive em compras de tinta e papel.
Espero poder vender mais desses folhetos na próxima feira. Com o dinheiro pretendo comprar mais folhas e mais tinha (ainda tenho bastante tinta, mas quero já garantir) e, então, irei lançar outro livro pelo Clube de Autores. Não espero vender este futuro livro na internet, mas pretendo comprar alguns e vender na feira também.
Sinto que finalmente dei um passo importante na minha "carreira" de poeta. Espero que bons ventos me guiem.



