Muda de Chá

Pensamentos vindos depois de ler essa bela história em quadrinhos

GIBIS

Luan Menezes Vieira Borges

4/13/20262 min read

Esses dias para trás eu precisei reler o inefável livro Muda de Chá, da quadrinista Lark.

Há livros que fazem a gente chorar através do choque, entristecendo-nos para ensinar-nos, mas não precisa ser sempre assim. Às vezes um livro pode encher nossos olhos de lágrimas por causa de uma beleza extrema, que nos faz sentir mais vivos e da mesma forma ensinando-nos.

Na história, Martín, que vive solitário em uma montanha cultivando chá, ganha de presente uma mudinha adoentada e, na ânsia de curá-la, desce à vila para encontrar algum doutor que possa cuidar muda. Nisso ele descobre que toda sua produção está sendo comprada por um tal de Alvadéz, dono de uma fábrica de chá, que usas das folhas para criar algum tipo de chá industrializado que, dentre outras coisas que não revelo para poupar-te das revelações de enredo, tem gosto de poeira velha.

Muda de Chá fala sobre arte. Sobre o processo muitas vezes laborioso, mas sempre recompensador de se fazer arte. E isso me toca muito. Mexe comigo.

Minha arte é feita de palavras. Minha arte são as histórias, as poesias.

Assim como Martín, o cultor de chá, eu sinceramente sinto como se viesse quase sozinho em algum tipo de montanha afastada sem qualquer contato com ninguém. A diferença é que ele joga seu chá por aí, vendendo-o para a tenda que fica ao pé da serra, sem saber o que de fato acontece com ele.

Na primeira vez que li, interpretei essa montanha de Martin como a metáfora da torre de marfim que existe na ciência. O cientista está na torre de marfim, muito acima da população ignorante que não entende nada sobre como o mundo funciona. Mas terminando minha segunda leitura, senti que essa montanha poderia ser somente um quarto em que o artista mantém as portas e janelas fechadas para manter os de fora lá fora e se concentrar em sua arte.

É mais ou menos esse o meu caso. Passo um bom tanto do meu tempo dentro do quarto, dedicando-me a consumir arte e criar arte. Diferente de Martín, minha arte fica aqui parada, cultivo meu chá só para mim, às vezes compartilhando com uma ou outra pessoa que nem sei se leram. Assim como Martín, muitas vezes eu penso que as pessoas nem se importam com o que eu escrevi, mas continuo escrevendo.

Mas eu gostaria muito que isso mudasse. Quero mostrar a minha poesia às pessoas. Quero que as pessoas as leiam, mas não apenas isso, não quero um consumo fajuto e artificial. Quero poder compartilhar meus sonhos com as pessoas e sonhar os sonhos delas.

É por isso que publiquei meu primeiro livro de poesias: O Romance do Trovador das Gerais com a Donzela das Flamas de Íris. Fruto não só do estudo, mas de vivências. Sim, "vivências", no plural, porque não são apenas coisas que vivi por mim mesmo, mas percepções do que vi acontecer e vivências de outras pessoas com quem conversei. Talvez, numa primeira leitura, possam achar que é qualquer babaquice intelectualóide, mas sou assertivo em dizer que nesse livro existem vidas pulsando.

Se você puder, acesse a página do meu livro na Amazon e leia as primeiras páginas, que são gratuitas. Se gostar, compre e sonhe os meus sonhos.

E sugiro, lógico, a leitura do gibi Muda de Chá, da Lark. É fantástico, emocionante, doce.

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Luan Menezes, músico e poeta