
O Épico dos Reis Persas
Um dos mais importantes épicos nacionais iranianos. A história dos reis e dos grandes heróis persas.
LITERATURA CLÁSSICA-MEDIEVAL
Luan Menezes Vieira Borges
2/9/20262 min read


Não se fazem mais épicos como no século XI. Ok. Brincadeiras à parte, o Shahnameh foi um dos primeiros livros que li este ano e foi absurdamente bom. Tratando-se de um livro fantástico, com dragões e outros monstros, esse livro é, na minha opinião, melhor do que a grande maioria dos livros de fantasia modernos que já li.
O Shahmaneh é o grande épico persa, escrito pelo poeta iraniano Abol-Ghasem Hassan ibn Ali Tusi, mais conhecido como Ferdowsi (ou Ferdusi), em entre os séculos X e XI. Esses anos correspondem, na Europa, ao fim da Alta Idade Média e ao início da Baixa Idade Média, mas para ser sincero eu não sem como seria a divisão do tempo para os povos iranianos.
Este livro conta a história dos grandes reis iranianos desde os tempos próximos à criação até a tomada do Irã pelos mulçumanos. A edição que tenho, no entanto, não consta essa última parte. Essa edição do Clube de Autores, traduzida por H. R Cenci, foi traduzida de uma tradução para o inglês de Helen Zimmern, e parece ser a única tradução disponível no Brasil. Não tenho informação alguma sobre o tradutor (ele nem mesmo tem uma página biográfica no Clube de Autores), exceto que ele parece ter traduzido diversos outros textos sobre zoroastrismo.
E falando sobre zoroastrismo, a história Shahnameh é completamente baseada nesta fé, ainda que o o Zoroastro só vá ser mencionado mesmo quase no final do livro. Ainda assim, temos aqui louvores ao deus Ormuzd (também chamado de Ahura-Mazda), aparições de seus Peri (seres que se assemelham aos anjos na tradução cristã), do deus maligno Ahriman e de seus Deev (o equivalente aos demônios da tradição cristã).
Achei interessante notar que, da mesma forma que muitas obras cristãs, o Deus Máximo também não aparece. Ele é mencionado diversas vezes em louvores feitos pelos personagens, no entanto são os seus Peri que aparecem aos seres humanos. Já Ahriman, assim como Satã, aparece algumas vezes, muitas delas disfarçado, na tentativa de enganar os reis do Irã.
E nesse mundo onde os deuses estão vivos (muito antes de Nietzsche matá-los), há todo o tipo de exagero, que deixaria Galahad - o grande cavaleiro medieval cristão - de boca aberta. Comparando com os vários romances de cavalaria que li, eu sinceramente achei o Shahnameh muito mais bonito, as descrições das pessoas muitas vezes são feitas de forma muito bela, embora às vezes repetitiva nas comparações de certas mulheres importantes com a Lua com os Peri. Há um lirismo muito grande nesses parágrafos que, é válido lembrar, são versos no original
Cheguei neste livro graças à minha paixão pela série de jogos de vídeo game Prince of Persia. O Shahnameh foi um título de grande importância para o game designer e roteirista Jordan Mechner durante o desenvolvimento do título The Sands of Time. Também pude notar algumas referências ao livro no título The Lost Crown, título que realmente despertou a minha curiosidade pela literatura persa.
Recomendo muito esse livro para quem deseja fugir um pouco da mesmice dos títulos de fantasia anglo-americanos, ultra influenciados pela literatura de Tolkien. É um mundo diferente, mas ao mesmo tempo reconhecível.
Disponível em: https://clubedeautores.com.br/livro/shahnameh-o-epico-dos-reis



